HELENA TRINDADE (BRA) Ampliar

HELENA TRINDADE (BRA)

Poesia Visual / Visual Poetry

Language is a Virus, 2019

A obra se constitui em um paralelo entre a contaminação através das artes visuais contemporâneas e a contaminação trazida por um vírus com alta letalidade, sobretudo entre os mais pobres. Em um país a deriva, faz-se necessário um grito de alerta, intervindo com “grafites virtuais” em estruturas arquitetônicas situadas na cidade de São paulo, epicentro da epidemia no Brasil, que sofrem acelerado processo de deteriorização. Segundo a artista, através da poesia visual no campo expandido do espaço urbano, sinaliza-se áreas socialmente degradadas. “A escolha da frase de William Burroughs para nomear o projeto implica que mutações em nossas ações sociais, hoje mais do que nunca, são necessárias e urgentes”.

The work is a parallel between contamination through contemporary visual arts and contamination brought by a virus with high lethality, especially among the poorest. In a drifting country, an alert cry is needed, intervening with “virtual graffiti” in architectural structures located in the city of São Paulo, the epicenter of the epidemic in Brazil, which are undergoing an accelerated deterioration process. According to the artist, through visual poetry in the expanded field of urban space, socially degraded areas are signaled. "The choice of William Burroughs' phrase to name the project implies that changes in our social actions, today more than ever, are necessary and urgent".

Mais detalhes

Adicionar à lista de desejo

Além de um vírus, uma batalha travada no campo da linguagem determina o destino de milhares de brasileiros: o discurso do presidente x recomendações da Organização Mundial de Saúde.

No final de 2019, ao formular este projeto, eu não poderia ter previsto a pandemia do novo coronavírus que nos atingiu. Mas no campo da arte, as obras funcionam livres das intenções dos artistas e sempre acumulam novos significados.

Em maio de 2020, estou socialmente distanciada. Meus "Vírus", antigas esculturas feitas com teclas de máquina de escrever, já haviam sofrido uma mutação para grafites virtuais. Agora eles podem ser identificados como agentes poético-contagiosos, pois infestam o epicentro da pandemia no Brasil. Poesia visual no campo expandido do espaço urbano, sinalizam áreas socialmente degradadas da hospedeira, a cidade de São Paulo. A escolha da frase de William Burroughs para nomear esse projeto implica que mutações em nossas ações sociais, hoje mais do que nunca, são necessárias e urgentes. Discursos moldam a realidade. O impulso poético pode subvertê-la.

RUÍNA Da Praça da Sé, uma das mais importantes de São Paulo, podemos avistar um prédio que não foi concluído. Uma cena um tanto surreal, tal é a estranheza que ela causa à primeira vista. Essa ruína ecoa outra, dada a situação dos moradores de rua que vivem na praça, alguns deles há anos. 

PAISSANDÚ Concluído em 1957, o Cinema Paissandú chegou a ter 2.196 lugares. Atualmente desativado, nem mesmo seu antigo letreiro foi poupado do abandono. Atualmente, uma rua sem saída ao lado do cinema serve como abrigo para moradores de rua. Ironicamente, para a etnia tupi-guarani, paissandú significa santo pai. 

MIRANTE DO VALE O prédio Mirante do Vale, concluído em 1960, foi a mais alta edificação do Brasil por 48 anos. Domina o Vale do Anhangabaú e pode ser visto de vários pontos da cidade de São Paulo. Atualmente exibe um aspecto degradado (obs: anhangabaú em tupi = rio ou água do mau espírito).

Besides to a virus, a battle waged in the field of language determines the fate of thousands of Brazilians: the president's speech x recommendations from the World Health Organization.

At the end of 2019, when criating this project, I could not have predicted the pandemic of the new coronavirus that hit us. But in the field of art, the works work free from the artists' intentions and always accumulate new meanings.

In May 2020, I am socially distanced. My "Virus", old sculptures made with typewriter keys, had already undergone a mutation to virtual graffiti. Now they can be identified as poetic-contagious agents, as they infest the epicenter of the pandemic in Brazil. Visual poetry in the expanded field of urban space, signal socially degraded areas of the host, the city of São Paulo. The choice of William Burroughs' phrase to name this project implies that changes in our social actions, today more than ever, are necessary and urgent. Speeches shape reality. The poetic impulse can subvert it.

RUÍNA
From Praça da Sé, one of the most important in São Paulo, we can see a building that has not been completed. A somewhat surreal scene, such is the strangeness it causes at first sight. This ruin echoes another, given the situation of the homeless living in the square, some of them for years.

PAISSANDÚ
Builded in 1957, Cinema Paissandú had 2,196 seats. Currently disabled, not even its old sign has been spared from abandonment. Currently, a dead-end street next to the cinema serves as a shelter for homeless people. Ironically, for the Tupi-Guarani ethnic group, paissandú means holy father.

MIRANTE DO VALE
The Mirante do Vale building, builded in 1960, was the tallest building in Brazil for 48 years. It dominates the Anhangabaú Valley and can be seen from several points in the city of São Paulo. Nowadays it shows a degraded aspect (obs: anhangabaú in * Tupi = river or water of the evil spirit).

* language spoken by the tribes of Tupi peoples who inhabited most of the coast of Brazil in the 16th century





Artista / Artist Helena Trindade
País / Country Brasil / Brazil
Título da Obra / Title of the Work Language is a virus / LInguagem é um vírus
Linguagem / Mediums Poesia Visual / Visual Poetry
Dimensões / Dimensions Dimensões variadas / Different dimensions