ABDO JULANI (PAL)

Fotografia / Photography

 Unusual Behavior, 2020

Em Unusual Behavior, Abdo Juliani fala sobre novos hábitos adquiridos no periodo da quarentena que acabaram por criar rotinas mecanizadas e entediantes. Ao pinçar os elementos que representam esse estado quase que letárgico diante de um víruas mortal, como o rádio em que ouvia as estatísticas de mortes e o controle do play station, mesclando-os com o rosto, o artista foca em questões associadas a identidade do homem contemporâneo que se forja a partir do que consome. Ou seja, a sociedade de consumo atua de maneira decisivaa em nossas personalidade. Unsual Behavior se trata de uma crítica bem humorada e inteligente que nos leva a refletir sobre um amanhã onde se valorize o homem, em detrimento do produto.

In "Unusual Behavior", Abdo Juliani talks about new habits acquired during the quarantine period that ended up creating mechanized and boring routines. By picking up the elements that represent this almost lethargic state in the face of a deadly virus, such as the radio, on which he listened to the death statistics, and the XBox control, merging them with his face, the artist focuses on issues associated with contemporary man's identity that is forged from what he consumes. In other words, the consumer society plays a decisive role in our personalities. Unsual Behavior is a humorous and intelligent criticism that leads us to reflect on a tomorrow where man is valued, to the detriment of the product.

Mais detalhes

Adicionar à lista de desejo



































Em 15/03/2020, todas as instituições de ensino ou de lazer decidiram encerrar suas atividades, fechando as portas e isolando todos em suas casas devido ao coronavírus. Dessa maneira, fui obrigado a tirar uma licença indefinida do hotel onde trabalho, bem como interromper os estudos após semanas agitadas em que estava submetendo o meu trabalho final para o bacharelado e candidatando-me a bolsas de mestrado. Dessa maneira, de uma hora para outra, me vi completamente disponível e com tempo de sobra. Comecei a perceber, então, as mudanças nas prioridades e encargos em meu cotidiano. A garrafa de desinfetante tornou-se uma dos mais reconfortantes objetos que carrego, higienizando as minhas mãos em diversos momentos, tais como, depois ir ao banheiro, ao usar o computador, antes e depois de comer, quando retorno para casa, etc. Todos em minha volta estão tão obcecados por essas pequenas garrafas, que é comum vermos pessoas gabando-se de possuirem esse ou aquele desinfetante. Comecei a refletir sobre onde estamos neste momento e como uma pequena garrafa pode nos definir. O uso de um desinfetante pode criar discriminações entre nós, mas, também, nos conecta ao desejo de sobrevivência e combate a esta doença que nos ameaça.

Durante a quarentena, utilizei um pequeno espaço do meu quarto e comecei a fotografar diferentes tipos de produtos de limpeza sobre o meu rosto. Eu sempre considerei o rosto uma característica que distingue a identidade de cada pessoa. Logo em seguida, tive a ideia de fotografar outras pessoas na mesma posição, entretanto, para realizar essa ação, encontrei muitas dificuldades, uma vez que as pessoas deveriam se deslocar para esse fim. Decidi, então, abortar o projeto, voltando a ficar aflito, sem poder sair de casa.

Com a permanência do “lockdown”, comecei a perceber o surgimento de certos hábitos na sociedade, a fim de combater o vírus e o tédio, como as novas regras de limpeza de minha mãe, pulverizando clorox em todos os lugares. Todo mundo na casa agora tem a sua própria toalha e uma garrafa de água e começamos a usar a mistura de vinagre / água para limpar a garganta. Compramos também grandes quantidades de pão sem motivo, ouvindo as histórias da mãe sobre o Naksa de 1967 e o pão caseiro da minha avó. Para superar o tédio, criamos uma nova rotina envolvendo jogar jogos de tabuleiro, assistir vídeos, ouvir o rádio e as notícias, perguntar, diariamente, sobre o número de pessoas infectadas, fazer doces, terminar séries de TV, beber chá de camomila e dormir de maneira irregular. Minha mãe também está investindo seu tempo em atividades espirituais, como ler o Alcorão e orar.

Decidi, então, documentar, em meu pequeno estúdio, ao longo de duas semanas, essas atividades. A ideia foi dar menos atenção a pessoa que está sendo fotografada e valorizar os novos hábitos que desenvolveu. Para realizar o trabalho utilizei um fundo preto e fundi as minhas expressões faciais com os produtos/objetos utilizados no período da quarentena, que foram inseridos em frente ao meu rosto. Esses recursos expressam o retrato da sociedade neste período difícil, em toda a sua simplicidade e generalidade.



On 15/03/2020, every educational or recreational institution decided to close its doors and trap everyone in their homes due to the coronavirus. Thereby, I was forced to take an indefinite leave of absence from my job at a hotel, this came after a period of productive work in numerous aspects of my life, such as my artwork and
my studies. After a number of hectic weeks, where I was submitting my final paper for my BA and applying for scholarships for my MA, I found myself completely available, unoccupied by anything.Quickly, I began to realize the change that occured in my priorities and the burdens I carry around each day. The sanitizer bottle became one of the most comforting objects I carry, I even started sanitizing my hands every ten minutes: after using the bathroom, before eating and after, after using my computer and after returning home. I began to notice that everyone is obsessed with these tiny bottles; we even brag about having this kind of sanitizer or that one. I started to reflect about where we are at this moment, and how a small bottle can define us. Using a sanitizer can both discriminate between us, but it also connects us in our desire to survive and fight this illness that surrounds us.

In the small space I dedicated to my artwork in my room, I began photographing myself with different kinds of cleaning products, where I place the product on my face and replace it with my features; I have always regarded the face as a distinctive feature in people, unique in every person. I soon had the idea to photograph others in the same position, but I found great difficulty in executing this project, since the studio was in my house and people were not fond of the idea of coming to someone’s home. I decided to abort the project, go back to my despair and never leave the house.  With the continuous lockdown, I began noticing the development of certain habits across society in order to fight the virus and boredom such as my mom’s new cleaning rules and spraying everywhere with clorox. Everybody in the house now has a dedicated towel and water bottle. We began using vinegar and water mixture to clear our throats, buying huge quantities of bread for no reason, listening to mom’s stories about the Naksa of 1967, and my grandmother’s home baked bread.We formed a new routine of playing board and video games to overcome the boredom, listening to the radio and the news, my asking about the number of infected people today, making pastries, irregular sleep hours, finishing tv series, cleaning, drinking chamomile and tea. My mom is also investing her time in spiritual activities such as reading the Quran and praying.


I decided to document all of those new activities over the course of two weeks, in my small studio. The idea became less of who are the people in the photograph and more of what are the new habits they developed during this qurantaine. I use the black background in order to emphasize my facial expressions and the merging between these features and the products held up close. These features are more of

society’s features during this difficult time, in all of its simplicity and its generality.









Artista / Artist Abdo julani
País / Country Palestina / Palestine
Título da Obra / Title of the Work Unusual Behavior
Data / Date 2020
Linguagem / Mediums Fotografia / Photografy
Dimensões / Dimensions 100 × 50 cm